quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Singela homenagem a Drummond.


Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.




(E as indagações são as mesma. Por que me abandonaste?)




sábado, 27 de outubro de 2012

O fim e algo mais.

(Essa aqui é para ouvir enquanto lê)

Pensei em escrever algo sobre o fim, de novo.
É um bom jeito de dar ponto final num história, escrevendo sobre ela e colocando um milhão de pontos finais no texto.
Não, não superei. Estou chorando com cada música do Camelo que eu ouço. Mas eu sei que vai passar. Tudo passa, mesmo que algo em tudo que passa fique.
E sim, no fundo, eu tenho uma vontadezinha de esperança de voltar, de "ele vai perceber que, na verdade, me ama sim e vai me ligar me pedindo pra voltar, vamos casar e sermos felizes para sempre". Não me julguem, sou uma pobre romântica.
Contudo, tenho consciência que não acontecerá nada disso. Ele não poderia ser mais claro.
Eu: Você me ama?
Ele: Não.
Difícil explicar como isso doí. Só quem já passou pode saber. Parece que tudo o que faz da sua vida é errado, é insuficiente... Não ser a pessoa certa para a nossa pessoa certa é uma das coisas mais injustas que existem no mundo.
Eu fico a me julgar, o que eu fiz de errado? O que eu não fiz? É o que eu sou? O que eu não sou?
Procuro me lembrar que o problema não está em mim, mas nele. Porém, acho que não acredito nisso o suficiente.

A única solução que eu vejo é não amar, para assim, poder ser amada.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Stella Artois

Eu olho de novo aquelas duas garrafas da sua cerveja preferida na minha geladeira, você as deixou aqui no último dia que ficamos juntos realmente.
Você voltava de um show que não me convidou para ir e eu já havia voltado de um outro que eu havia insistido para que você fosse comigo. Aquela noite eu estava tão feliz por você ter aceitado finalmente um convite meu que até esqueci tudo isso e todos os choros da semana anterior, estava tão feliz que fiz uma torta para você e comprei sua cerveja preferida.
Você também comprou, junto com um chocolate pra mim. E eu fiquei achando que aquilo era tudo de mais lindo que existe no mundo.
Agora, eu olho de novo aquelas cervejas e só consigo pensar se bebe-las iria te atingir de alguma forma, se você se importaria. Eu sei que não, eu poderia beber sua cerveja preferida fazendo sexo com outro cara que você não ligaria, não é?
Então eu me imagino bebendo-as junto com outras mil, na frente da sua casa, bebendo e jogando as garrafas no seu portão, na sua casa, no seu cachorro, em você...
Tudo isso só para sua vida ficar cheia de cacos de vidros, que são frios e machucam.
Igual a você.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Paulicéia desvairada.

São Paulo é uma poesia triste, fria e satânica.
Mas é bela.
Paulistas são frios, tristes e satânicos.
Mas são belos.

Quando a garoa cai e as luzes acendem,
você acende um cigarro e pensa:
"Caralho" do alto de um arranha-ceú.
Arranha-ceú machuca o ceú?

Minha relação com São Paulo é uma chuva de clichês.
Chuva não, garoa.
Ah...

São Paulo é um labirinto místico, já dizia o poeta paulista.
Pra mim é um poço.
De sentimentos, pessoas, feíura e beleza.


(Escrito da janela do 1606 do Ed. Fortuna, Rua Santo Amaro. Em algum lugar em dezembro de 2011. Descoberto no sofá do 1606 do Ed. Fortuna, Rua Santo Amaro. Hoje.)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Do desejo.

Eu tenho um desejo louco de ter um filho. Agora.
Tudo começou quando eu passei uma semana com a possibilidade de estar grávida na cabeça.
Meus sentimentos em relação a isso foram tão variados que só de lembrar já fico confusa. Mas basicamente foi assim: negação, confusão, desespero, tristeza, aceitação e felicidade.
 Sim, felicidade. Durante aquela semana eu comecei a gostar daquele serzinho que poderia estar crescendo dentro de mim, eu o queria e estava feliz por ele existir.
 Mas nessa felicidade também vinha um sentimento confuso de culpa, de "como eu posso querer algo que vai atrapalhar toda a minha vida?". Era estranho.
 Dois testes de gravidez negativos mais tarde, eu ainda tinha esperança dúvidas, mas quando minha menstruação veio dando a certeza que aquele serzinho não existia, eu até me senti aliviada, mas também me senti triste. Eu já o queria, eu já o desejava.
 E esse é o ponto. Certa vez me disseram que quando um pensamento vira desejo, ele tem que ser realizado, senão vira frustração, difícil de abandonar. Acho que era isso, de qualquer jeito, é isso.
 E agora eu me pego o tempo inteiro pensando em ter um filho, as vezes quando estou deitada sozinha chego ao cúmulo de ficar passando a mão na minha barriga e fingindo que tem algo lá dentro...

Crio teses inteiras na minha cabeça tentando dar explicação a isso, porém, tudo e nada se encaixa.
Mas a mais plausível dessas teses é que esse meu desejo é na verdade o desejo de dar peso a essa minha insustentável leveza do ser, um peso que dará realidade a minha vida, um peso que só uma responsabilidade eterna de ser para um outro ser pode dar.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

"Fala pra ele que ele é um sonho bom que mudou o tom da tua vida."

Já faz um tempo que eu queria te escrever algo, algo que traduzisse essa coisa que sinto quando penso em nós dois e em como tem sido te ter ao meu lado.
Estava me lembrando de cada dia que passamos juntos e conclui que não teve nenhum que eu tenha querido não estar contigo. E conclui também que eu só deveria te agradecer, agradecer por todas as noites dormindo ao meu lado, por ter me abraçado enquanto eu chorava minhas mágoas adormecidas e até por ter cuidado de mim quando eu estava doente.
Engraçado como escrevendo isso me sinto mais nua do que nunca a sua frente.
Mas já passei do ponto de ficar na defensiva, naquele dia que eu te disse "eu te amo" sem querer, eu me entreguei a você. Sem jogos. Sem esconderijos.
Me doí que você não entenda tudo isso. Que você ainda esteja na defensiva e não acredite que por você eu faria tudo e faria sem ressentimentos, sem tristeza...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Num lugar qualquer.


Como dois estranhos, cada um na sua estrada, nos deparamos, numa esquina, num lugar comum.
E aí? quais são seus planos? Eu até que tenho vários, se me acompanhar, no caminho eu posso te contar.

E mesmo assim, queria te perguntar, e você tem ai contigo alguma coisa pra me dar, se tem espaço de sobra no seu coração. Quer levar minha bagagem ou não?

E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem e você vai me ensinar as suas verdades. E se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio.
De dia, vou me mostrar de longe. De noite, você verá de perto o certo e o incerto, a gente vai saber.

E mesmo assim, queria te contar que eu talvez tenha aqui comigo, eu tenho alguma coisa pra te dar. Tem espaço de sobra no meu coração. Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.


Tiê

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

E mesmo sem te ver, acho até que estou indo bem. (13/01/12)

 Era noite bonita, no parque verde da cidade cinza, pessoas e a pessoa.
Sim, um novo colonizador.
Chega desses nativos.
O que eu tô querendo é uma nova ordem mundial nesse meu mundo pequeno.

domingo, 15 de janeiro de 2012

E é o fim, é o fim, é o fim... (eu espero)

Eu queria te escrever um adeus, mas acho que isso não é o bastante. 
Não sei como toda a nossa pequena história foi para você, para mim foi tudo. 
Então como poderia apenas fingir que nada aconteceu entre nós e te tratar como mais um amigo? 
Não sei, não sei de nada. Tem outra pessoa agora e ele está me ajudando no meu trabalho de te tirar da minha cabeça, ele é tudo que você não foi pra mim nesses últimos tempos, mas como explicar que eu ainda penso em você?
Porra, a verdade é que eu queria te fazer sofrer, muito. Algo em mim diz que isso me faria bem, será que faria?

Poeminha.

E quando ele chegou, o meu amor digo, me disse:
Decifra-me ou te devoro.
Eu, por incapacidade mesmo, não decifrei-o e devorada fui.
Nada sou agora do que a ideia de algo que foi consumida por um algo maior.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Tantrismo

Tarde de inverno, uma livraria pequena abarrotada de livros de todos os tipos, tamanhos, cores e formas. Duas atendentes jogando conversa fora. E nós ali, folheando alguns volumes, andando de mãos dadas pelas prateleiras, seu perfume se misturava com o cheiro de livros novos, o que me deixava estranhamente excitada.
Começamos uma brincadeira nada inocente. Olha, chama, foge, puxa, corre e eis que no meio da sessão infantil eu te jogo em uma prateleira repleta de livros com figuras coloridas e histórias felizes...
E no beijo, seu beijo quente e terno, eu o abraçava, passava a mão pela barriga dele só para ver sua melhor cara de de excitação controlada e ele me devolvia com apertos fortes como se para aliviar a tensão de instintos reprimidos. Era uma brincadeira, um jogo, dois amantes competindo quem era mais forte nesse tantrismo.
Nenhum de nós. Apenas amaldiçoávamos cada pessoa em volta por estar ali nos impedindo de cair no chão, entre livros de figuras coloridas e histórias felizes, e nos tornarmos um só.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um sonho só.

Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos. 
Caio Fernando Abreu

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Soneto a quatro mãos.

" Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado." 
Vinícius de Moraes.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mais do mesmo.

Eu estou aqui hoje porque estou com uma vontade imensa de falar e não tem ninguém certo para me ouvir, na verdade, tem certas coisas que é bem melhor falar para estranhos.
Eu estou em uma fase boa, tudo parece lindo. Tudo está lindo, mas é o tudo lindo relativo da vida. O tudo lindo, não tão lindo. Tem coisas muito confusas, muitas pressões, muitas vontades minhas, muitas vontades de outras, muitas vontades convergentes e divergentes.
E sabe, eu descobri que sou mimada. Fico realmente triste quando as coisas não saem do meu jeito e acho uma chateação ter que fazer o que os outros querem.
Passei a vida inteira falando que meu irmão mais novo era uma criança mimada e no alto dos meus não tão curtos e nem tão longos 17 anos descubro que eu sou a mimada. Não que ele não seja, ele é. Mas eu também sou. E nem sei porque estou escrevendo isso, vou perder credibilidade com vocês, eu acho. rs
Sabe, eu aprendi muito sobre mim nessa viagem.
Nossa, faz tanto tempo que não posto aqui que nem contei que viajei.
Bom, passei esse último mês de Julho inteiro na França, mas precisamente em Paris.
Sozinha, realmente muito sozinha.
Foi bom. Foi um mês sabático de auto-conhecimento.
Agora cá estou eu com muita informação sobre mim mesma e sem saber como coordena-las de uma jeito que eu possa me entender um pouco melhor.
Mas, tem algumas coisas que eu aprendi, por exemplo, é realmente verdade o que as pessoas dizem sobre tudo ser melhor quando você está com as pessoas que você gosta. Sempre achei sentimentalismo exagerado e que eu sempre me viraria muito bem sozinha em qualquer lugar. Porém, não foi bem assim, eu me virei, mas senti uma imensa falta o tempo inteiro. Uma falta de alguém, de ninguém especifico ou de muitas pessoas especificas, mas uma falta enorme e doida.
Bom, voltando ao Brasil. Estou ai com umas coisas a mais na cabeça, porque vocês me conhecem, eu só arranjo complicações pra minha cabeça. Não sei se essa minha mania enorme de ter um enredo digno de Woody Allen pro filme da minha vida vem da minha paixão por cinema. É que talento pra ser um Woody Allen eu não tenho, mas vontade sim. Então fico nisso.
Ah, merda. Como sou confusa. Aposto que daqui a alguns meses lerei isso e falarei: "Puta merda, como eu escrevo mal e sou totalmente desprovida de sentido, vou excluir esse blog."

Bom, wherever.
Acho que já escrevi besteiras de mais.
Até meu próximo surto.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Meu tipo de coragem.

Eu escrevo cartas, bilhetes, bíblias ou trechos de música, eu escrevo o que me der na telha.
Eu escrevo tudo isso naquelas horas da madrugada que o seu cérebro não está no auge, mas também não está amortecido. Ou melhor, naquela hora que você não é capaz de fazer equações do 2º grau, mas é capaz de escrever alguma coisas que faça um pouco de sentido no seu Twitter.
Eu divago quando escrevo, quando falo também, na verdade mais quando falo ..
Mas gosto disso, gosto de escrever o que vem na cabeça, só escrever ..
Escrever que hoje eu fui triste, fui feliz, fui amada, fui abandonada, fui amiga, fui inimiga, fui tantas coisas em um só dia que chega a essa hora estou cansada de ser algo ...
Escrever liberta, escrever exprime, escrever te escancara.
Sou corajosa por escrever.

sábado, 26 de março de 2011

30-06-10 ~ 26-03-11



Quero música alta,
sentar na cama e apenas te olhar
e sentir o cheiros dos seus cabelos
acaricia-los de leve ...
Ah, te queria simples
vendo algum filme 
sentados no meu sofá
você tem que saber
tem que ver
que eu só quero você assim
assim simples, simples assim.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Meu maior sonho.

Meu maior sonho é que um vírus zumbi se espalhe no mundo e que só sobreviva algumas pessoas. Só aquelas que eu quiser, é claro. hahaha
Eu penso muito no que fazer se os mortos-vivos dominarem o mundo, uma coisa que eu tenho certeza que preciso fazer antes disso acontecer é aprender a atirar bem, uma toupeira cega tem mais mira do que eu. :(

Bom, quando acontecer tenho tudo mais ou menos planejado, formarei uma resistência com todas as pessoas legais e as pessoas que eu amo e elas não são necessariamente as mesmas pessoas. Apesar de achar que em algum momento o fato de gostar delas não será muito bom. Imagina como vai ser difícil estourar a cabeça de algum integrante de uma das minhas bandas preferidas ou de alguém que eu amo?
Continuando.
Vamos roubar um delegacia, para arranjar armas e depois procurar algum lugar pra montar um forte, esse lugar pode ser dentro de um shopping, já que é um lugar que tem de tudo que é necessário pra sobrevivência. Entretanto, depois de ver o último Resident Evil ontem,  ando pensando que uma prisão seria o ideal em questões de segurança, um shopping é muito aberto.
Depois quando acabar tudo na cidade, o lance vai ser equipar alguns carros pra atropelar zumbis enquanto anda, ou melhor, tentar roubar alguns camburões tropadeelitefeelings que já fazem isso. E aí, sair de cidade em cidade atrás de bolinhos mantimentos e matando muiiiiiiiiiitos zumbis.


O mundo é tão chato, acho que isso serviria pelo menos para acabar com o tédio.E mais, não ia ser extremamente divertido dar uma de psicopata e atirar na cabeça de uns mortos-vivos? :)




ps. esses zumbis não podem ser como os de The Walking Dead, se forem vai perder a graça de atirar neles :(

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Metade.


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
                                                     

Oswaldo Montenegro

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Realidade.

Eu queria uma coisa a muito tempo, mas eu imaginava que ela ia acontecer de um certo jeito e, obviamente, ela aconteceu de outro, completamente diferente.
 Não foi em um ponto de ônibus, foi em uma comunidade do orkut. Não foi uma camiseta do Ramones, foi uma do Santos. Não teve cachos ao vento, all star com aparência de sujo, nem olhos verdes. Mas teve um sorriso fofo, cartas e olhos extremamente azuis ...
 Eu já havia quase desistido de algum dia ter alguém para pensar antes de dormir, me dar colo, ver filme no sofá da sala e me fazer esquecer de todas as velhas feridas. Alguém pra quem eu pudesse entregar, assim como já fiz antes, aquilo que eu chamo de coração, mas é muito mais que isso ..
É a vida pode realmente nos surpreender ...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Utopia.

Eu desço do ônibus e você está lá, parado, com os cachos balançando com o vento que os carros fazem ao passar, está com uma camiseta do Ramones igualzinha a minha.
Distraído, mexendo no IPOD, não me vê quando eu paro, meio longe, de frente pra ele, mas ouve quando eu sem querer rio por estarmos vestidos iguais.
Bonita camiseta, você diz. A sua também, eu respondo.
Qual é seu nome? E o seu?
 Tá ouvindo o que? Adivinha. Ramones? rs. Não, Strokes. rs
E a conversa continua e eu descubro que você está no primeiro ano da faculdade, a mesma que um amigo meu. Como o mundo é pequeno, eu comento.
Você continua falando, que mora longe, mas bem mais perto que eu, que quer morar com alguns amigos mais perto da facul mas é tão difícil sair da casa da mãe ...
Eu reparo que você fala demais e que tem olhos lindos, castanhos claros, quase verdes e com um formato meio felino. Nossos olhos se encontram, eu fico sem graça e olho para o chão.
Você usa aqueles All Star clássico, pretos com a listra vermelha, ele tem aquela aparência charmosa de velho ...
Te olho de novo e você está sorrindo pra mim, me pede o msn e o telefone. Te passo o telefone.
Meu ônibus chega e é você que me avisa, te dou um beijo no rosto.
Prazer te conhecer. O prazer é meu. A gente se vê.

Aí eu acordo, pensando nos cachos dançando com o vento, na camiseta do Ramones, no All Star com aparência de velho ...