domingo, 15 de janeiro de 2012

Poeminha.

E quando ele chegou, o meu amor digo, me disse:
Decifra-me ou te devoro.
Eu, por incapacidade mesmo, não decifrei-o e devorada fui.
Nada sou agora do que a ideia de algo que foi consumida por um algo maior.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Tantrismo

Tarde de inverno, uma livraria pequena abarrotada de livros de todos os tipos, tamanhos, cores e formas. Duas atendentes jogando conversa fora. E nós ali, folheando alguns volumes, andando de mãos dadas pelas prateleiras, seu perfume se misturava com o cheiro de livros novos, o que me deixava estranhamente excitada.
Começamos uma brincadeira nada inocente. Olha, chama, foge, puxa, corre e eis que no meio da sessão infantil eu te jogo em uma prateleira repleta de livros com figuras coloridas e histórias felizes...
E no beijo, seu beijo quente e terno, eu o abraçava, passava a mão pela barriga dele só para ver sua melhor cara de de excitação controlada e ele me devolvia com apertos fortes como se para aliviar a tensão de instintos reprimidos. Era uma brincadeira, um jogo, dois amantes competindo quem era mais forte nesse tantrismo.
Nenhum de nós. Apenas amaldiçoávamos cada pessoa em volta por estar ali nos impedindo de cair no chão, entre livros de figuras coloridas e histórias felizes, e nos tornarmos um só.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um sonho só.

Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos. 
Caio Fernando Abreu

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Soneto a quatro mãos.

" Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado." 
Vinícius de Moraes.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mais do mesmo.

Eu estou aqui hoje porque estou com uma vontade imensa de falar e não tem ninguém certo para me ouvir, na verdade, tem certas coisas que é bem melhor falar para estranhos.
Eu estou em uma fase boa, tudo parece lindo. Tudo está lindo, mas é o tudo lindo relativo da vida. O tudo lindo, não tão lindo. Tem coisas muito confusas, muitas pressões, muitas vontades minhas, muitas vontades de outras, muitas vontades convergentes e divergentes.
E sabe, eu descobri que sou mimada. Fico realmente triste quando as coisas não saem do meu jeito e acho uma chateação ter que fazer o que os outros querem.
Passei a vida inteira falando que meu irmão mais novo era uma criança mimada e no alto dos meus não tão curtos e nem tão longos 17 anos descubro que eu sou a mimada. Não que ele não seja, ele é. Mas eu também sou. E nem sei porque estou escrevendo isso, vou perder credibilidade com vocês, eu acho. rs
Sabe, eu aprendi muito sobre mim nessa viagem.
Nossa, faz tanto tempo que não posto aqui que nem contei que viajei.
Bom, passei esse último mês de Julho inteiro na França, mas precisamente em Paris.
Sozinha, realmente muito sozinha.
Foi bom. Foi um mês sabático de auto-conhecimento.
Agora cá estou eu com muita informação sobre mim mesma e sem saber como coordena-las de uma jeito que eu possa me entender um pouco melhor.
Mas, tem algumas coisas que eu aprendi, por exemplo, é realmente verdade o que as pessoas dizem sobre tudo ser melhor quando você está com as pessoas que você gosta. Sempre achei sentimentalismo exagerado e que eu sempre me viraria muito bem sozinha em qualquer lugar. Porém, não foi bem assim, eu me virei, mas senti uma imensa falta o tempo inteiro. Uma falta de alguém, de ninguém especifico ou de muitas pessoas especificas, mas uma falta enorme e doida.
Bom, voltando ao Brasil. Estou ai com umas coisas a mais na cabeça, porque vocês me conhecem, eu só arranjo complicações pra minha cabeça. Não sei se essa minha mania enorme de ter um enredo digno de Woody Allen pro filme da minha vida vem da minha paixão por cinema. É que talento pra ser um Woody Allen eu não tenho, mas vontade sim. Então fico nisso.
Ah, merda. Como sou confusa. Aposto que daqui a alguns meses lerei isso e falarei: "Puta merda, como eu escrevo mal e sou totalmente desprovida de sentido, vou excluir esse blog."

Bom, wherever.
Acho que já escrevi besteiras de mais.
Até meu próximo surto.